Sou uma alma lunar,
em noites despertas que me namoram,
trocamos segredos
e vivemos enredos,
enquanto o mundo dorme lá fora…
Descalça de ruído,
caminho no silêncio das horas,
onde a luz é suave
e o sentir não se esconde…
Converso com a Lua,
faz-me ser sua…
despe-me de preconceitos,
deita-se no meu leito
e envolve-me num silêncio que me entende…
Assim me escuta a Lua,
sem pressa, sem julgamentos,
e eu deixo nela pedaços de mim,
como quem aprende a não se perder…
Desfaço-me em pensamentos,
como quem se entrega sem medo,
e deixo cair as máscaras do dia,
uma a uma,
até restar apenas o que sou…
É um tempo só nosso,
feito de pausas e suspiros,
onde tudo abranda
e nada se impõe…
Ela conhece-me…
nos vazios que escondo,
nos excessos que calo,
nas palavras que nunca disse…
E nesses instantes,
eu fico despida de mim,
entre o escuro e a luz,
encontro-me inteira naquilo que sinto,
abraçada à noite que me guarda…
Há em mim um lugar
onde só ela entra,
onde o tempo abranda
e a alma respira…
E é aí…
entre o silêncio e o luar,
que me reinvento,
e volto a nascer…
sem pedir licença ao mundo.

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