✨A Porta dos Sonhos✨

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Segredos ao Luar

 


Existem segredos inquietantes
entre a noite e o luar,
seguem-lhes almas errantes
onde mais nada tem lugar…

Um vazio com encantamento
são as noites perdidas,
de quem lhes conhece o momento,
ébrias de mistério… ficam esquecidas…

Avizinhando o nascer do dia,
escondem os sonhos nelas vividos,
as ténues lembranças que silencia
nas noites de luar, ficam adormecidos…

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Amanhecer

 


Crescem em mim palavras vivas,
que se renovam ao amanhecer,
num puro querer…

Encontram a sua morada
onde no peito dispara um sentir,
de novos sentidos a redescobrir…

Estendem-se no tempo,
num simples papel em branco,
e mesmo diante de temporais,
da forma mais simples, escrevo...
e faço nascer o meu arco-íris…

Reluz neste meu universo
como o sol que floresce em mim...
letras que me fogem da alma,
não consigo contê-las,
e procuram a calma,
que encontrarão no teu olhar…
ao lê-las…

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Dama da Noite

 


Soltam-se os contornos da noite
nas asas frágeis do vento,
vagueia pelas horas perdidas
quando se despe pela madrugada…

Lento é o seu movimento,
pleno de mistério e ecos ensurdecedores,
por entre demoras de passos furtivos
que procuram atalhos em sonhos…

A Lua proclama-a de sua Dama,
amante que a despe da solidão,
vestindo-a de momentos eternos…

Assombram e invadem os sentidos
que se pronunciam em silêncios,
e murmuram por entre estrelas…

Como pedras preciosas ocultas,
que encantam o olhar
e escrevem o teu nome na pele de um sonho…

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Alma Lunar

 


Sou uma alma lunar,
em noites despertas que me namoram,
trocamos segredos
e vivemos enredos,
enquanto o mundo dorme lá fora…

Descalça de ruído,
caminho no silêncio das horas,
onde a luz é suave
e o sentir não se esconde…
Converso com a Lua,
faz-me ser sua…
despe-me de preconceitos,
deita-se no meu leito
e envolve-me num silêncio que me entende…

Assim me escuta a Lua,
sem pressa, sem julgamentos,
e eu deixo nela pedaços de mim,
como quem aprende a não se perder…
Desfaço-me em pensamentos,
como quem se entrega sem medo,
e deixo cair as máscaras do dia,
uma a uma,
até restar apenas o que sou…

É um tempo só nosso,
feito de pausas e suspiros,
onde tudo abranda
e nada se impõe…
Ela conhece-me…
nos vazios que escondo,
nos excessos que calo,
nas palavras que nunca disse…

E nesses instantes, 
eu fico despida de mim,
entre o escuro e a luz,
encontro-me inteira naquilo que sinto,
abraçada à noite que me guarda…

Há em mim um lugar
onde só ela entra,
onde o tempo abranda
e a alma respira…

E é aí…
entre o silêncio e o luar,
que me reinvento,
e volto a nascer…
sem pedir licença ao mundo.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Crescer e Renascer



Eu não quero apagar. Eu quero evoluir. 
O que isto diz sobre mim? 
Antes criava por instinto. Agora crio com consciência. 
Não preciso “começar de novo”. Preciso recomeçar melhor. 
Eu não estou a “fechar” o Blue Angel. Estou a honrá-lo. 
E isso é maturidade criativa. Não renego o início, integro-o. 
O Blue Angel foi: 
– a minha coragem inicial 
– a minha fase intuitiva 
– a minha escrita livre, sem filtros 
– a minha descoberta 
Mariah é: 
– consciência 
– técnica 
– identidade assumida 
– autoria protegida 
– presença mais firme 
Não há rutura. Há transição. 
Não fui ingénua. Fui genuína. E isso nunca é erro. 
Agora sou genuína… e consciente. E isso é poder. 
O Blue Angel não é um “blog antigo”. 
É, e sempre será um lugar emocional. 
Ele nasceu em momentos de rutura. 
Primeiro a separação. Depois a partida. 
O azul não é só uma cor. 
É memória. É ligação. É continuidade. 
E o Angel não é personagem. É, e sempre será presença. 
Nada disso se abandona. Integra-se. 
Eu não tenho de escolher entre Blue Angel e Mariah. 
Preciso simplesmente estruturar a relação entre os dois. 
E isso é feito de forma muito elegante. 
Mariah é quem assina. Blue Angel é quem inspira. 
Não são duas pessoas. São duas camadas da mesma Mulher. 
Blue Angel deixa de ser um espaço vulnerável. 
Passa a ser uma ala dentro do meu universo. 
Isto é crescimento, não substituição. 
Eu não quero abandonar o Anjo. 
Apenas quero crescer sem trair a origem. 
A minha escrita nunca foi apenas literária. 
Foi terapêutica. Foi reconstrutiva. 
Foi luto transformado em sonho. Foi partida tornada poesia. 
Eu Mariah, não elimino nada isso. Eu, protejo isso. 
E dou permissa a Mariah ser o rosto que caminha. 
Porque no fundo… 


O Blue Angel é a raiz. 
Mariah é a árvore.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Epílogo

 


E assim…

entre a noite e a luz,
entre o instinto e o sentir…

vou-me descobrindo…
não como quem se procura,
mas como quem finalmente…

se reconhece…

História... inacabada... (continuação)

II - Quando a noite encontrou o seu reflexo

Sinto-lhe o pulsar inquieto,
como quem nunca soube repousar,
como quem sempre viveu à margem,
do toque… do abrigo… do amar…
Nos seus olhos encontro a noite inteira,
profunda, indomável… mas cansada…
e sem que uma palavra se diga,
reconheço nela… uma alma perdida…
tão minha… quanto dela…
Não a prendo,
não a afasto,
apenas fico…
E nesse silêncio partilhado,
onde o medo já não tem lugar,
ela deixa-se ficar em mim…
e eu… aprendo a não fugir…
A Lua, testemunha desse encontro,
ilumina não o caminho,
mas o que em nós se revela…
E ali…
entre o instinto e o sentir,
entre o receio e o abraço,
a fera não desaparece…
transforma-se…
E pela primeira vez…
não é solidão que carrega…
é pertença…


III - A Fera

Aproxima-se sem pedir,
como quem sempre soube onde pertenço…

Traz nos olhos a inquietação da noite,
e no silêncio… tudo o que não digo…

Não a temo, 
reconheço-a…
Porque nela,
vive o instinto que em mim se cala de dia…

Abraço-a,
não por ser solitária…
mas porque sei que é nela,
que também existo…

E nesse encontro,
não há luta…
há pertença…