“Blue Angel nasceu do azul da memória e do sonho que nunca se perdeu. Hoje, Mariah assume a escrita, mas o Anjo continuará a sussurrar.”
domingo, 3 de maio de 2026
sábado, 21 de março de 2026
Entre Dedos e Silêncios
sexta-feira, 20 de março de 2026
Rio de Letras
que o tempo me deu,
serpenteiam palavras das minhas mãos,
tombam cascatas de letras
como se refrescassem aquilo que sinto…
Navegam e fazem-me sentir mais perto,
nas águas de um deserto
que não permitem ir mais além,
e abandono-me no seu leito,
onde adormeço tantos sentimentos
em frases descompassadas que te dou…
Um tudo e um nada,
como a vida que desliza
nas pontas dos meus dedos…
Verso a verso, perdem-se pelas margens desse rio,
que docemente ampara um olhar despido
e, sonolento no meu peito,
levo-o nas asas do tempo,
com gestos suspensos à porta do silêncio
que inebriam tanto balbuciar…
domingo, 15 de março de 2026
O Fado Que Não Cantei
o reflexo da palma da tua mão…
Nas cordas de uma guitarra,
perduram mistérios, segredos, medos,
que encontro nos teus dedos ao tocá-la…
Neles se aclara o que escondes em ti,
fendas que o tempo escreveu no teu relógio,
embarcadas nas melodias de chuva,
apressadas em preencher esse vazio…
Nas pontas dos teus dedos,
e com a alma que têm dentro,
está o aconchego para esses dias sombrios
sejam sopros de saudade,
ou até brisas de alguma dor
que se tornam gesto e agasalham o teu sorriso…
Despe esse silêncio por silêncio,
invadido por melodias que arremesso
contra as linhas fatigadas das palavras,
que deslizam nas margens dos sons,
ainda que desconcertantes,
não obedecendo à razão, mas ao sentir…
Dar-lhes uma sombra e descansar,
deixar ver os segredos que nelas não se apagam,
tatuando e glorificando tempos de uma guitarra,
para que fiquem as marcas desse caminho
que me trouxeram até aqui…
(Fecho os olhos e recordo —
e, ainda que lágrimas me caiam pelo rosto,
pudera e soubera eu cantar…
cantaria este fado nas ruas da alegria…)
sábado, 14 de março de 2026
O Que em Mim Floresceu
o amor não tem nome,
mas tem a sua morada em mim,
essa semente que plantei, por si mesma se criou,
é a brisa que me rodeia,
o ar que respiro e me faz viver,
passou… e ficou...
Não me deixa oca nem vazia,
nem se encontra ausente,
apenas cresce fora de mim,
mas acompanha-me lado a lado...
O tempo passou mas não parou,
ainda me encontro aqui
como quem um dia chorou
por tanto esperar alguém,
quem sabe por ti…
Voou… e acabei por me perder
sozinha nesse mesmo tempo,
enquanto aguardei por te ter,
sou flor, sou perfume… sim, sou,
na essência que há em mim...
Ser jardineiro é ter
as palavras certas nos gestos
e acertar o compasso da melodia
que toca as finas pétalas,
para se manterem com a cor
e o aroma que lhes dá vida...
Assim é o amor que alimento em mim,
não se prende,
deixa-se livre e, sendo amor,
segue o nosso ritmo
sem nunca nos deixar sós...
O que plantaste em mim,
de mim colherás...
quinta-feira, 12 de março de 2026
Do Outro Lado de Mim
no outro lado de mim
na solidão da noite,
no silêncio de uma cama vazia...
As paredes do quarto
ficam nuas de espanto,
na emaranhada teia das emoções que nos envolvem,
na profunda espera que nos chama...
São íngremes os degraus
que prendem os nossos passos,
no longínquo amor que ansiamos...
As correntes que nos prendem,
preenchem as nossas mãos vazias
que envolvem a nossa alma...
Nos enevoados olhares
encontramo-nos por entre as brumas,
espera-nos o céu azul,
tecido pelas estrelas com o fulgor do luar...
O sol irá romper,
e no seu encontro
virá a espera de um novo anoitecer...
Meus olhos acariciarão o mar,
a minha alma irá com as ondas,
o dia que me deixa só
e me envolve num abraço vazio,
percorre-me e afaga-me,
como os meus dedos
que se enlaçam despidos,
quarta-feira, 11 de março de 2026
Fez-se Noite
vagamente, levemente, sozinha e solene…
com a palma da mão aberta, acaricia-me de sonhos…
Espalha estrelas, lantejoulas
que luzem e pestanejam,
tão sem rumor, tão lentas,
num secreto murmurar…
Instante deserto de sombra e lua…
dança imperceptível em gestos quietos,
no leito inundado de luar,
num íntimo rumor do mundo…
Perco-me nas horas do tempo
e, na sua quietude, me abandono…
veste-me os sentimentos do avesso,
por onde delírios em mim se soltam…
E, urdindo profanas ideias,
em sonhos embrulhados
éramos nós… somente…
Apenas entrega, nada mais…
transpusemos os portões do sonho
que se dissipam com a aurora…
Doce Amanhecer
desejos de amor e carícias,
marcas de veludo em pele macia,
mimos de açúcar refinado…
Cândida essência
num corpo perfumado
que nutre mimo e emoção,
na expressão máxima dessa paixão…
Não lhe importa percorrer, encantado,
entre céu e mar,
terra e luar,
montes e estrelas…
Rende-se diante do sonho,
num rosto cujo olhar
brilha com elas…
Um ninho de beijos e abraços,
como se fossem bordados
no mais puro pano de suave algodão…
Brancura no afago
de alma e corpo entrelaçados,
que se acolhem
na fonte dos suspiros consumados…
Tu serás
o meu doce amanhecer…
terça-feira, 10 de março de 2026
Acetinado Luar
cobre-me o corpo com o acetinado luar,
borda-me fios de estrelas a cintilar…
Segredando-me palavras de desejo,
torno-me sua amante,
levada pela brisa,
acamo-me sobre o seu leito…
À noite me dou
rasga-me e acaricia-me
com o negro que se alumia
num sonho que me chama…
Essa é a suave sedução
nos sons misteriosos,
essa voz envolvente
onde me perco e me entrego,
inteira… nua de mim…
E prende-me
na teia invisível
de uma infinita submissão…
Um voo breve,
em que se faz dona de mim,
leva-me a alma nas asas do vento…
onde te encontrarei no meu sonho…
Nasce o Novo dia
e acordo de um sonho
que não está terminado…
Volto a bater asas como um pássaro
à procura da flor preferida,
da cor mais bonita,
para a beijar suavemente
e lembrar como é doce
o perfume da tua presença…
A cada novo amanhecer
é uma emoção vivida,
pelo dia que vejo nascer
e pelo momento que me convida…
Enche-nos de perfume e cores
que a natureza me dá,
um abraço vem na brisa, como magia…
em tudo respiramos a sua beleza…
E, num sorriso,
recebo assim o novo dia…
segunda-feira, 9 de março de 2026
Tela ao Poente
e eu, da minha janela,
crio a tela mais bela…
de pintar com todas as cores
a sublime imagem
que a noite me leva numa viagem…
Pela luz da lua a adornar,
e com pontos de estrelas a brilhar,
letras do teu nome no infinito azul do céu
trazem-te em harmonia num sonho meu…
Com formas suaves, mas delirantes,
e toda a magia da noite chegada,
adormeço embalada nos seus mistérios
e, nesse sonho, sou navegante enfeitiçada…
Teu Nome ao Amanhecer
céu azul anil,
o sol no horizonte,
a vida que me brada ao ritmo
do nascer do dia que me acalenta…
Contemplo-a,
e goteja nas linhas traçadas
de um simples poema…
Por vezes, é como o próprio tempo que me escapa
e acampa nas noites onde sonho,
o mesmo que me tinge e enlaça
nos desejos do encontro que lhe ponho…
Esta manhã, quando despertei,
foi o teu nome no meu sonho que encontrei…
domingo, 8 de março de 2026
É Mulher um Poema
quarta-feira, 4 de março de 2026
A Noite e a Lua
a noite sonha que é dela…
serenamente descansa nua,
envolta em luz como uma estrela…
Abraçando brisas de vento,
murmuram segredos entre si…
e em suaves bailados,
num leve embalo adormeci…
Durmo viajando no teu brilhar,
por caminhos onde o sonho impera…
passeando emoções com o teu luar,
nas estrelas fico à tua espera…
E quando for hora de despertar,
outra luz há de brilhar…
não será noite, nem haverá Lua,
nem terá a magia igual à tua…
Mas sempre que a noite chegar,
vestida de estrelas, ficarei para ver…
a magia das noites de luar,
e no doce embalo… adormecer…
segunda-feira, 2 de março de 2026
Silêncios do Amanhecer
que toca o nascer do novo dia,
procuro nele o jardim do mundo ao horizonte,
no céu descubro o arco-íris por entre nuvens
que se dissipam nas delicadas gotas de chuva…
Sinto em mim o infinito
que me cruza o corpo,
na madrugada em que adormeci…
Renascem da penumbra sons e sentires
que entoam palavras no tempo perdidas,
isoladas nessa melodia matinal,
vagueiam com o pensamento
murmúrios e sussurros que largo ao vento…
Entre o sentir e o momento
quebra-se a solidão,
pela ilusão da magia
de um sentimento em que mergulho,
nas eternas memórias da noite
onde todos os sonhos ainda são possíveis…
sábado, 28 de fevereiro de 2026
Segredos ao Luar
entre a noite e o luar,
seguem-lhes almas errantes
onde mais nada tem lugar…
Um vazio com encantamento
são as noites perdidas,
de quem lhes conhece o momento,
ébrias de mistério… ficam esquecidas…
Avizinhando o nascer do dia,
escondem os sonhos nelas vividos,
as ténues lembranças que silencia
nas noites de luar, ficam adormecidos…
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Amanhecer
que se renovam ao amanhecer,
num puro querer…
Encontram a sua morada
onde no peito dispara um sentir,
de novos sentidos a redescobrir…
Estendem-se no tempo,
num simples papel em branco,
e mesmo diante de temporais,
da forma mais simples, escrevo...
e faço nascer o meu arco-íris…
como o sol que floresce em mim...
não consigo contê-las,
e procuram a calma,
que encontrarão no teu olhar…
ao lê-las…
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Dama da Noite
nas asas frágeis do vento,
vagueia pelas horas perdidas
quando se despe pela madrugada…
Lento é o seu movimento,
pleno de mistério e ecos ensurdecedores,
por entre demoras de passos furtivos
que procuram atalhos em sonhos…
A Lua proclama-a de sua Dama,
amante que a despe da solidão,
vestindo-a de momentos eternos…
Assombram e invadem os sentidos
que se pronunciam em silêncios,
e murmuram por entre estrelas…
Como pedras preciosas ocultas,
que encantam o olhar
e escrevem o teu nome na pele de um sonho…
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Alma Lunar
Sou uma alma lunar,
em noites despertas que me namoram,
trocamos segredos
e vivemos enredos,
enquanto o mundo dorme lá fora…
Descalça de ruído,
caminho no silêncio das horas,
onde a luz é suave
e o sentir não se esconde…
Converso com a Lua,
faz-me ser sua…
despe-me de preconceitos,
deita-se no meu leito
e envolve-me num silêncio que me entende…
Assim me escuta a Lua,
sem pressa, sem julgamentos,
e eu deixo nela pedaços de mim,
como quem aprende a não se perder…
Desfaço-me em pensamentos,
como quem se entrega sem medo,
e deixo cair as máscaras do dia,
uma a uma,
até restar apenas o que sou…
É um tempo só nosso,
feito de pausas e suspiros,
onde tudo abranda
e nada se impõe…
Ela conhece-me…
nos vazios que escondo,
nos excessos que calo,
nas palavras que nunca disse…
E nesses instantes,
eu fico despida de mim,
entre o escuro e a luz,
encontro-me inteira naquilo que sinto,
abraçada à noite que me guarda…
Há em mim um lugar
onde só ela entra,
onde o tempo abranda
e a alma respira…
E é aí…
entre o silêncio e o luar,
que me reinvento,
e volto a nascer…
sem pedir licença ao mundo.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Crescer e Renascer
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Epílogo
entre a noite e a luz,
entre o instinto e o sentir…
vou-me descobrindo…
não como quem se procura,
mas como quem finalmente…
se reconhece…
História... inacabada... (continuação)
II - Quando a noite encontrou o seu reflexo
como quem nunca soube repousar,
como quem sempre viveu à margem,
do toque… do abrigo… do amar…
Nos seus olhos encontro a noite inteira,
profunda, indomável… mas cansada…
e sem que uma palavra se diga,
reconheço nela… uma alma perdida…
tão minha… quanto dela…
Não a prendo,
não a afasto,
apenas fico…
E nesse silêncio partilhado,
onde o medo já não tem lugar,
ela deixa-se ficar em mim…
e eu… aprendo a não fugir…
A Lua, testemunha desse encontro,
ilumina não o caminho,
mas o que em nós se revela…
E ali…
entre o instinto e o sentir,
entre o receio e o abraço,
a fera não desaparece…
transforma-se…
E pela primeira vez…
não é solidão que carrega…
é pertença…
III - A Fera
como quem sempre soube onde pertenço…
Traz nos olhos a inquietação da noite,
e no silêncio… tudo o que não digo…
Não a temo,
Porque nela,
vive o instinto que em mim se cala de dia…
Abraço-a,
não por ser solitária…
mas porque sei que é nela,
que também existo…
E nesse encontro,
não há luta…
há pertença…





















