✨A Porta dos Sonhos✨

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quarta-feira, 11 de março de 2026

Fez-se Noite

 
Fez-se noite com tal mistério,
vagamente, levemente, sozinha e solene…
com a palma da mão aberta, acaricia-me de sonhos…

Espalha estrelas, lantejoulas
que luzem e pestanejam,
tão sem rumor, tão lentas,
num secreto murmurar…

Instante deserto de sombra e lua…
dança imperceptível em gestos quietos,
no leito inundado de luar,
num íntimo rumor do mundo…

Perco-me nas horas do tempo
e, na sua quietude, me abandono…
veste-me os sentimentos do avesso,
por onde delírios em mim se soltam…

E, urdindo profanas ideias,
em sonhos embrulhados
éramos nós… somente…

Apenas entrega, nada mais…
transpusemos os portões do sonho
que se dissipam com a aurora…

terça-feira, 10 de março de 2026

Acetinado Luar

 


Vem o sol poente que me veste de noite,
cobre-me o corpo com o acetinado luar,
borda-me fios de estrelas a cintilar…

Segredando-me palavras de desejo,
torno-me sua amante,
levada pela brisa,
acamo-me sobre o seu leito…

À noite me dou
rasga-me e acaricia-me
com o negro que se alumia
num sonho que me chama…

Essa é a suave sedução
nos sons misteriosos,
essa voz envolvente
onde me perco e me entrego,
inteira… nua de mim…

E prende-me
na teia invisível
de uma infinita submissão…

Um voo breve,
em que se faz dona de mim,
leva-me a alma nas asas do vento…

onde te encontrarei no meu sonho…

domingo, 15 de fevereiro de 2026

História... inacabada... (continuação)

II - Quando a noite encontrou o seu reflexo

Sinto-lhe o pulsar inquieto,
como quem nunca soube repousar,
como quem sempre viveu à margem,
do toque… do abrigo… do amar…
Nos seus olhos encontro a noite inteira,
profunda, indomável… mas cansada…
e sem que uma palavra se diga,
reconheço nela… uma alma perdida…
tão minha… quanto dela…
Não a prendo,
não a afasto,
apenas fico…
E nesse silêncio partilhado,
onde o medo já não tem lugar,
ela deixa-se ficar em mim…
e eu… aprendo a não fugir…
A Lua, testemunha desse encontro,
ilumina não o caminho,
mas o que em nós se revela…
E ali…
entre o instinto e o sentir,
entre o receio e o abraço,
a fera não desaparece…
transforma-se…
E pela primeira vez…
não é solidão que carrega…
é pertença…


III - A Fera

Aproxima-se sem pedir,
como quem sempre soube onde pertenço…

Traz nos olhos a inquietação da noite,
e no silêncio… tudo o que não digo…

Não a temo, 
reconheço-a…
Porque nela,
vive o instinto que em mim se cala de dia…

Abraço-a,
não por ser solitária…
mas porque sei que é nela,
que também existo…

E nesse encontro,
não há luta…
há pertença…