De ti ficou um pouco,do teu misterioso poder
numa voz mansa que sussurrou,no sol que não aqueceuna lua que não brilhouna estrela que não cintilou
no mar que não ondulou
no fogo que não ardeuna melodia que não tocou...De ti ficou um pouco...
um pouco do nada que de ti ficou,obrigado por tudo o que deixaste de ti...Fathy Kard
Fujo do irreal,
tão longe... ainda mais longe de mim...Nem terra, nem água... perco amor, memória,
até do eco sem voz num chamamento que se dissipa...Todos os gestos inúteis, sem cor, nem ornamentoaté no som melódico das palavras...Fujo de tudo,
e cada vez mais longínquo sem calor...
o desejo irónico do ar que não respiromas até me envolve...Ausência... apenas fujo,
vivo, calada, indiferente e solitária,solta num mundo infindoem susbstâncias de um Anjo...Fathy Kard
Dizes-me que não tens a minha veia poética,nem a inspiração das minhas palavras,mas sei, tenho certeza que nas tuas atitudesestás à altura do que te escrevo...Dizes-me que faço poesia
cheia de palavras doces,
mas sei, tenho certeza que os meus gestosnão estão à altura das letras que não sabes escrever...Fathy Kard
De mansinho te chegas com palavras
que são suaves como plumas,
acaricias os meus pensamentos
dando-lhe um toque ao de leve,
para que possa sentir na pele
aquele "soft" arrepio...(Poeticamente falando)Fathy Kard
Em friezas de uma telacom a rigidez de teclas,rimas e poemas pinto
com o que sonho ou não...
faço histórias, filmes, brinco,Entre risos de brincadeiras mostro ou não vontadee nada diz a mulher que sou de verdade...Mas não quero com isto dizer
que o que escrevo seja mentira ou falsidade,Até pode ser que chegue um diaque sem teclas nem tela fria te possa falar,
com olhos nos olhos e entre alguma magialeias a mulher que não quero dar...Cedo-me ao direito de omissãopara que não diga toda a verdade do meu coração...E se alguma vez me leste
foi com o veneno da tua sabedoriarotulando-me de igual a outras
que na tela do teu espelho me vias...Mas olha para o reflexo da tua imagemsempre uma segunda vezporque as tuas menos verdadesluzem cada vez mais alto nessa tua pequenez...
Se no fim deste quadropensas que duas mulheres sou,estás muito enganado que não são duas... mas três,E com o brilho desse teu olharque te cega esse teu tanto saber,
pintei o quadro que pensas enganarda terceira mulher que nunca irás conhecer...Fathy Kard
Quero ter aquela noite que me aromaste
com pétalas de rosas perfumadas.
Quero deitar-me, deleitar-me
nessa cama de cheiros
misturada com o teu gosto
que me embriagou os sentidos,
e nos rendemos em suores olorados.
Quero acordar nesse leito vazio
mas inundado num prazer que fica em mim,
dentro de mim...
Nessa cama que encharca todo o odor
dessa noite de amor...
o teu cheiro de rosas,
o teu doce envolvido com o meu sal,
todo o nosso calor...
Fathy Kard
Continuo num vooque segue ao ritmo das tuas pegadas,que aumenta quando estás próximo
e vem a esperança de poder pousare abraçar-te nas minhas asas..Abranda... lento, muito lento quando te afastas,e vem a tristeza de que irei perder o teu rasto
e não poder ver-te mais...Cerro meus olhosquando não são iluminados pelo teu olhar,
ensurdeço num ruido caladoquando nem em surdina ouço a tua voz...
Perco as asas e desfaleço
quando não consigo acompanhar teus passos
Meu espirito voa sem rumo,
neste espaço sem fim,
quando não encontro o teu trilho na calada da noite...O silêncio reina
apenas escuto o bater do coração,
que anseia por uma asa que não existe mais,a vontade de estar perto era tanta,
que a decepção foi ainda maior
quando ouvi no teu grito:- Não existes... nunca exististe, senão tinha dado por ti!Desde aí, o meu voo passou a ser solitárionum sofrimento
de quem perdeu algo especial que não aconteceu,
algo que não podia ter sido jamais sentido...No meio de um voo sem ritmos
gelam os sentidos sem a criatura amada,
uma lembrança quase indesejada...
Parte do coração já se foi,
a outra parte ficou embrelhada nas trevasAinda assim, ergo as asas e penso em voar,
porque teimo teus passos acompanhar???
Fathy Kard
Sou passageira,
faço-me viajante na noiteembarcando na nau que mareia
nas águas ensombradas pela bruma...e de encontro com névoas
que me levarão até ao... infinito...Fathy Kard
A semana foi interminável,o fim de semana é curto mas agradável...Vamos entregar-nos aos efeitos da "loirinha",refrescante, apetitosa, jovem dourada, saborosaque com tempo se torna amarga,
mas não se resiste ao encanto do seu borbulhar...Pega-se nela com vontade à sofreguidão do seu gosto,ávido, inebriante, sedento, que faz apetecer sempre mais...
Após um tempo começa-se a conversar numa lingua de enrolar...Já extasiados, e como a noite amanhece,
regressa-se a casa, a sensação de abandono aumenta...pensa-se como a vida que se tem não chega, não presta...
chora-se, bate-se na porta dá-se um soco no balcão,parte-se a própria mão na "prova" da força...e torna-se sistema... um vicio...semana interminável, fim de semana curto
e sempre com a fiél companheira "loirinha"o mesmo ritual na volta para casa...partindo móveis... até quando?!(Infelizmente uma realidade para muita gente,e enquanto houver móveis para partir...
mas, e quando não restar nada... como vai ser?!)Fathy Kard
São 2h00 da manhã,
hoje fiz de tudo para não pensar em ti...
Mesmo que por um breve momento... Agora, estou cercada de pessoas amigas
num ambiente alegre,
mas dentro de mim existe algo que me doi,e teima em ficar... fere a alma... Vejo-me a pedir-te apenas, encosta-te a mim... Agora já não posso mandar-te esta mensagem,
porque sei estás a dormir ao lado
de quem tu dizes que "amas"....
e eu choro por não te ter aqui ao meu lado...
Desculpa dizer-te isso, mas ainda não te esqueci...
ainda te amo como sempre amei...
ainda sonho e sinto o gosto
daquele teu doce beijo pela manhã...
Simplesmente és a pessoa mais incrível que conheci,
e hoje acordei e pensei...
como te amo e jamais te esquecerei...
(Carta de uma eterna apaixonada)