Sorri-me,
com a simplicidade do teu sorriso luzidio
Irradia-me,
com a beleza discreta do teu sorriso tímido
Solta-me,
as amarras da alma com teu sorriso ousado
Sorri-me,
com o resplendor do brilho dos raios de sol
Sorri-me,
um sorriso aberto, secreto, atrevido,
de todas as formas mas seguro
Sorri-me,com cheiro, saboreio,
e todo o néctar do sorriso teu...tão só, o teu sorriso... mas sorri-me!Fathy Kard
Rendo-me
às sensações
do corpo sedento
Teu paladarcom que me delicias
Saboreio
da tua boca Tatuas
a pele como bálsamo Fogo
que arde sem se verDesfaço-me
em cinzas de prazer.E já afogados
em mar de saboresdelírios
desejos
buscas
beijos
mordidasFazemos cardápio
de desmesurada paixão...Fathy Kard
Tem dias
que me perco
em charadas
quando consigo
reproduzir vastos vácuos.
Atordoada
vou escrevinhando
sem rimas
Sentimentos perambulam
com espessa névoa
no encoberto que experimento.
Direcção sem escalas
enigmas enevoados
sem enunciação exacta.
Na madrugada
nem brilho de estrelas
alumiam meu caminho
saída deste emaranho
Questões sucintascertezas aterram
na cacimba da aurora.Fathy Kard
Tranco em anéis
os meus pensamentos
Recruto minhas razões
que se perdem.Desnorteiam-me
como dança interminável
Perco o norte
em visões distorcidas.Ensombram-me debilmente
palavras dispersas
Indefinida
imprecisa
Rimas loucas
como tela imperceptível
borrada em aguarelas.
Ilusão misteriosa
eleva ternas e desvairadas
lembranças tuasBalançam no pensar
do ontem, do hoje...
e permito
que clarezas irregulares
existam no sonho.
Fathy Kard
O oceano
que não sou
Alaga portos
que não abro
O azul penetrantenão altera
Odor da maresia
em mim
Afago da águanum abraço
que me circunda
Horizonte doirado
no belo tom
do pôr-do-sol
Ondas desfalecem
na areia da praia
e trazem-me
o suspiro do teu nome
Brisa que desalinha
cabelos e pensamentosTraz-me saudade
gritante de ti
A vida segue igual
nada mudounós é que mudamos
Mas no mar que não sou
fecho os olhoscheiro a maresia
por ele trazida
Sinto a dança
das ondas
Entre elas avisto
o barco das ilusões
E eu embarco nele...
Fathy Kard
Disperso-me
nas letrasPerco-me
em qualquer formatoE tudo acaba
por se perderSe silenciar ainda mais...Vicio-me
como drogaNum veneno
que preciso para viver.Produzo
pedaços de sentimentosNum rincão de sonho
é recolhido nas orlas singelas
do rio da alma.Afogo
os meus dedos
Vertem
em foz secreta
Não calando silêncios
que o coração
não se atreve dizer.Gostava
de ser como a aveEm voos
perder as penas
Nas brisas transportar
ensejos a sonhosCeder por eles
asas ao tempo
Regressando
em melodia de encantoao meu retiro.Fathy Kard
Numa página em branco
sem qualquer aroma,
salpicas gotas perfumadasdeixando desenhados
atractivos olores.
Numa página tão branca,
quase transparente
como varinha mágicamarcas um clarão
dando-lhe brilho
em resplandescentes sorrisos.Esboças-me como anjo
de voo erguido até às nuvens
que não tocam o chão,
Seguindo rastos de odorespercorro deslumbrantes
entre fantasia e realidade,
fazes-me chegar a ti...Embaraçada e receosa
num simples "plim"
mergulho numa escuridão
que faz perder-mena cobiça do teu olhar
Embriago-me
nos suores com essências
do teu desejo
gotejado na minha pele...
Fathy Kard
Neste sonho inquebrável
rasgo com mãos
Olhos vazios
incitam meu corpo
furtado do teu olhar.
Gelifica a pele
sem ter o toque
do teu calor
Resfria na noite
sem a tua derme
na nudez do lençol.
Ar que toca os porosquando meus dedos
dançam silenciosos
no grito do corpo.
Sonho o dia
dos desejos da noite
Espalho no tempotrazendo de volta
o que descobriNo entrelaçar
da tua mão em mim...Fathy Kard
Quando fecho os meus olhos
encontro a magia
no teu olhar perdida
Ouço a voz do som
num beijo abafado.
Quando fecho os meus olhos
sinto caricias
da tua mão contida
Rendo-me às sensações
do teu corpo calado
Tatuando na pele
bailes harmoniosos.Fathy Kard
Esvoaçam
pensamentos do sonho que nos faz
até nós chegar...Envolvemos
asas na fantasia
de nos abraçarmosEmbalamos
na aspiração
de nos beijarmos Deambulando
em quimeras
de nos amarmos...Fathy Kard