✨A Porta dos Sonhos✨

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Dama da Noite

 


Soltam-se os contornos da noite
nas asas frágeis do vento,
vagueia pelas horas perdidas
quando se despe pela madrugada…

Lento é o seu movimento,
pleno de mistério e ecos ensurdecedores,
por entre demoras de passos furtivos
que procuram atalhos em sonhos…

A Lua proclama-a de sua Dama,
amante que a despe da solidão,
vestindo-a de momentos eternos…

Assombram e invadem os sentidos
que se pronunciam em silêncios,
e murmuram por entre estrelas…

Como pedras preciosas ocultas,
que encantam o olhar
e escrevem o teu nome na pele de um sonho…

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Alma Lunar

 


Sou uma alma lunar,
em noites despertas que me namoram,
trocamos segredos
e vivemos enredos,
enquanto o mundo dorme lá fora…

Descalça de ruído,
caminho no silêncio das horas,
onde a luz é suave
e o sentir não se esconde…
Converso com a Lua,
faz-me ser sua…
despe-me de preconceitos,
deita-se no meu leito
e envolve-me num silêncio que me entende…

Assim me escuta a Lua,
sem pressa, sem julgamentos,
e eu deixo nela pedaços de mim,
como quem aprende a não se perder…
Desfaço-me em pensamentos,
como quem se entrega sem medo,
e deixo cair as máscaras do dia,
uma a uma,
até restar apenas o que sou…

É um tempo só nosso,
feito de pausas e suspiros,
onde tudo abranda
e nada se impõe…
Ela conhece-me…
nos vazios que escondo,
nos excessos que calo,
nas palavras que nunca disse…

E nesses instantes, 
eu fico despida de mim,
entre o escuro e a luz,
encontro-me inteira naquilo que sinto,
abraçada à noite que me guarda…

Há em mim um lugar
onde só ela entra,
onde o tempo abranda
e a alma respira…

E é aí…
entre o silêncio e o luar,
que me reinvento,
e volto a nascer…
sem pedir licença ao mundo.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Crescer e Renascer



Eu não quero apagar. Eu quero evoluir. 
O que isto diz sobre mim? 
Antes criava por instinto. Agora crio com consciência. 
Não preciso “começar de novo”. Preciso recomeçar melhor. 
Eu não estou a “fechar” o Blue Angel. Estou a honrá-lo. 
E isso é maturidade criativa. Não renego o início, integro-o. 
O Blue Angel foi: 
– a minha coragem inicial 
– a minha fase intuitiva 
– a minha escrita livre, sem filtros 
– a minha descoberta 
Mariah é: 
– consciência 
– técnica 
– identidade assumida 
– autoria protegida 
– presença mais firme 
Não há rutura. Há transição. 
Não fui ingénua. Fui genuína. E isso nunca é erro. 
Agora sou genuína… e consciente. E isso é poder. 
O Blue Angel não é um “blog antigo”. 
É, e sempre será um lugar emocional. 
Ele nasceu em momentos de rutura. 
Primeiro a separação. Depois a partida. 
O azul não é só uma cor. 
É memória. É ligação. É continuidade. 
E o Angel não é personagem. É, e sempre será presença. 
Nada disso se abandona. Integra-se. 
Eu não tenho de escolher entre Blue Angel e Mariah. 
Preciso simplesmente estruturar a relação entre os dois. 
E isso é feito de forma muito elegante. 
Mariah é quem assina. Blue Angel é quem inspira. 
Não são duas pessoas. São duas camadas da mesma Mulher. 
Blue Angel deixa de ser um espaço vulnerável. 
Passa a ser uma ala dentro do meu universo. 
Isto é crescimento, não substituição. 
Eu não quero abandonar o Anjo. 
Apenas quero crescer sem trair a origem. 
A minha escrita nunca foi apenas literária. 
Foi terapêutica. Foi reconstrutiva. 
Foi luto transformado em sonho. Foi partida tornada poesia. 
Eu Mariah, não elimino nada isso. Eu, protejo isso. 
E dou permissa a Mariah ser o rosto que caminha. 
Porque no fundo… 


O Blue Angel é a raiz. 
Mariah é a árvore.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Epílogo

 


E assim…

entre a noite e a luz,
entre o instinto e o sentir…

vou-me descobrindo…
não como quem se procura,
mas como quem finalmente…

se reconhece…

História... inacabada... (continuação)

II - Quando a noite encontrou o seu reflexo

Sinto-lhe o pulsar inquieto,
como quem nunca soube repousar,
como quem sempre viveu à margem,
do toque… do abrigo… do amar…
Nos seus olhos encontro a noite inteira,
profunda, indomável… mas cansada…
e sem que uma palavra se diga,
reconheço nela… uma alma perdida…
tão minha… quanto dela…
Não a prendo,
não a afasto,
apenas fico…
E nesse silêncio partilhado,
onde o medo já não tem lugar,
ela deixa-se ficar em mim…
e eu… aprendo a não fugir…
A Lua, testemunha desse encontro,
ilumina não o caminho,
mas o que em nós se revela…
E ali…
entre o instinto e o sentir,
entre o receio e o abraço,
a fera não desaparece…
transforma-se…
E pela primeira vez…
não é solidão que carrega…
é pertença…


III - A Fera

Aproxima-se sem pedir,
como quem sempre soube onde pertenço…

Traz nos olhos a inquietação da noite,
e no silêncio… tudo o que não digo…

Não a temo, 
reconheço-a…
Porque nela,
vive o instinto que em mim se cala de dia…

Abraço-a,
não por ser solitária…
mas porque sei que é nela,
que também existo…

E nesse encontro,
não há luta…
há pertença…




segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

HISTÓRIA... INACABADA....

I - O Encontro

Numa noite entre a fúria do silêncio e a insónia,
o pensamento caminha devagar
naquela estrada misteriosa
que faz mergulhar no sonho...

Estranho, envolvente, penetrante e transparente,
sempre só... até que, a meio da viagem,
o vento trás o eco de uma voz...

Ainda distante,
terna e agitada ao mesmo tempo...



Cingida pela distância,
apresso os meus passos
o caminho torna-se cada vez mais estreito...

Escura, começa o receio a dominar
mas ao aproximar-me daquele som quase melodioso,
avisto deslumbramento na ternura dum olhar...

Ali...
uma criatura abandonada...

Abro a janela do medo,
 e lentamente, aproximo-me...

Olha-me com olhos doces, penetrantes,
como um feitiço silencioso,
e sem resistência, abandono-me...

Deita-se nos meus braços
 e eu, acalento-a...

Já no meu colo, a noite torna-se serena,
o vento perfuma o ar,
o mar embala o silêncio...

Não há estrelas,
mas a Lua... plena e imponente, 
irradiando espirais de luz,
ilumina tudo o que em nós desperta...

 .......
Fathy Kard

MENSAGEM DE NATAL ESPECIAL 2011


 Sobre uma tela branca
repousa o esboço de um poema infinito,

em que caiem por entre meus dedos
as palavras entrelaçadas do meu peito,
e se afagam dormentes nas mãos.

Soltando-se no vazio do tempo que guardo
dissipam-se na chama que as consome
e mergulham num turbilhão de emoções,
que a alma guarda nos braços que a esperam.

Numa caixinha coloco pétalas de rosas,
perfumo-a com um beijo e um abraço,
embrulho-a cuidadosamente com carinho
e uso o laço da amizade.

Fecho-a cuidadosamente,
para que nenhuma das emoções se perca
e deixo-a para todos que a queiram abrir...

.... não é muito, mas é tudo o que posso dar...

Fathy Kard

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ÚLTIMA PÁGINA


Hoje o Blue Angel vai partir e nunca mais será o mesmo.
Um dia poderá até voltar mas nada será como antes.
Poderia até ficar para que nada mudasse,
mas neste momento não se conformaria com isso.
Irá sofrer por perder alguém,
e lembrará com carinho ou até mesmo orgulho
de alguns momentos importantes na sua existência:
seu nascimento, sua apreciação, sua aprovação
de sempre, com que me acompanhaste ou leste,
durante todo o seu crescimento...
Conseguindo mesmo abrir a alma que se "esconde"
por detrás da sua imagem,
revelando alguns lindos contos escritos,
ou até mesmo uma história mais triste,
do outro lado do Anjo que existe...
O que lhe irá fazer falta mesmo,
o que lhe irá fazer doer bem lá no fundo,
será a saudade dos momentos mais simples:
na partilha dos episódios bonitos da vida,
até mesmo os atalhos mais tumultuosos que nos surgiram,
do cheiro que sentia naquele abraço em letras,
das horas certinhas em que sempre aparecias
para o veres, desse olhar que o "leu" em silêncio
em palavras mudas de sorrisos timidos...
nas músicas ouvidas,
nos videos mais tocantes
com aquelas mensagens de "cativar",
 a entrega das maiores cumplicidades...
E como ele olhava com aquela cara de se derreter,
com os mimos oferecidos, em promessas de um sonho...
mas que tudo se transforma em jeito de uma "chiclete"...
(prova, mastiga e deita fora)...
De qualquer forma, jamais serão esquecidas ou substituiveis
pois há coisas que não são "recicláveis"...
Irei contar sempre até cem de trás para a frente,
(ok, está certo, se for preciso, conta-se mais);
Mas o meu esperar não significou inércia, 
muito menos desinteresse;
Renunciar não quer dizer que não "ame";
Abrir mão não quer dizer que não queira;
O tempo ensina, mas não cura... teimosia...
O Blue Angel
navegaria mar adentro nos oceanos
abriria asas e voaria pelos céus de horizontes,
para desejos realizar, 
os sonhos pré escritos no papel...
Mas foi chegada a hora da sua sentença,
e aqui jazem as palavras de um sonho prometido,
em que o tempo se encarregou de fazer do Blue Angel
pequeno demais para torná-lo real.
Com a certeza de que é algo injusto
para com todos os que o acompanharam e acarinharam,
mas por ora, encerra as suas asas e adormece um sonho
firmando assim a última página
que encerra o capitulo de um pequeno "livro" 
cheio de Blue Dreams...
Deixando o seu mais profundo respeito e agradecimento
por tudo o que fizeram que se enaltecesse com a vossa presença,
vai continuar a sobrevoar as páginas que sempre o receberam...
Nas letras... até um dia ou até sempre, 
mesmo que o sempre não exista...
Um abraço do Blue Angel cheio de Blue Dreams
e um beijo no vosso coração

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Teu Perfume


Sinto por inteiro como brisa
finas pétalas que me envolvem,

e ondulantes, navegam-me a pele
como mar agitado em desejo,

que mareia e desfalece assim,
feito onda que desmaia na orla da praia.

À deriva neste aroma me deixo
e absorvo o fino doce que se espuma em mim...

o teu perfume...

Fathy Kard

sábado, 18 de setembro de 2010

Nas Tuas Mãos

Dissoluto num espaço e libertino num tempo,
solta-se meu coração
no momento que passa pelas tuas mãos...

Faz do teu corpo 
um leito onde se acalenta nu...

Desprendido do nada,
flutua serenamente num sonho
na esperança desse olhar que toma forma.

Num lado desconhecido... misterioso mesmo
e corberto por uma suave névoa,
apenas ao abandono desse oculto,
contempla-te por entre luares...

Ah meu doce sentido,
que nesse enleio faz respirar e toca a alma
como se lhe devolvesses o brilho...

Naquela noite, 
que o meu coração se desprendeu
e na escarpa do sonho,
pousou e nas tuas mãos adormeceu...

Fathy Kard